Tô Passada!

Why I'm Quitting Libertarios

por Juliano Torres, quarta, 1 de junho de 2011 às 09:48

Há três anos, um grupo de pessoas motivadas por um ideal comum resolveram colocar em prática a ideia de montar um partido libertário no Brasil. Por melhor que parecesse essa possibilidade na época, hoje, eu não me arriscaria novamente a tentar realizar algo parecido. Esta carta é para anunciar e esclarecer os motivos que me levam a deixar o Liber, como secretário e filiado.

A experiência de construir um partido político foi proveitosa, mas veio a um custo altíssimo. Foi necessário, entre outras coisas, até mesmo tentar forçar algum entendimento e engajamento nas pessoas. Durante este tempo, ao invés dos integrantes se unirem pelo ideal que os motivaram, o que acabou ocorrendo foi uma situação já tradicional em grupos políticos: luta por poder, mentiras, intrigas etc.

Por um curto período no qual estive ausente devido a problemas de saúde, o Liber ficou completamente paralisado. Ao invés de agirem, um grupo de membros discutia minha expulsão. Voltei a me dedicar ao partido gastando mais tempo e energia do que antes.

Nesse momento, eu já vinha pensando em deixar o grupo, mas, devido ao pouco tempo que faltava para o fim do meu mandato como presidente, resolvi seguir com as atividades afim de honrar o compromisso que assinei. As coisas estavam caminhando bem e tivemos alguns resultados: participação em eventos, muitos novos filiados, doações, maior divulgação etc.

Porém, desde que passei a responsabilidade para frente, o partido parou de caminhar. A postura oficial está completamente equivocada, os desentendimentos simples entre os membros se transformam em motivo para processos internos e há brigas por participação em órgãos de decisão. Os cargos são utilizados, na maioria das vezes, para exercer algum poder e não para fortalecer o Liber. Eventos recentes evidenciaram a postura autoritária de alguns membros e, mesmo depois de avisos, o problema persiste.

O outro motivo que me levou a essa decisão vai além do partido. Não acredito mais que eu tenha alguma espécie de dever para com alguém a ponto de sacrificar o meu tempo em prol da sociedade. Não tenho mais motivação para ajudar brasileiros que eu nem mesmo conheço. Escolhi me dedicar a realizar os meus desejos e, entre eles, não está lutar por mudanças que, na prática, vão alterar muito pouco a minha vida. Encontrei novos caminhos para o que, hoje, é minha prioridade.

Se os membros que continuam no Liber ainda desejarem que ele se torne realidade, reavaliem o que estão fazendo e mudem a forma de agir. Se o objetivo é apenas educar, então criem uma organização com esse objetivo, não um partido político.

Por fim, deixo o Liber ainda simpático aos ideais que o criaram. Os integrantes realmente engajados e, principalmente, os amigos que fiz durante os últimos três anos têm, em mim, um aliado. Para eles, o que muda é que agora farei as coisas do modo que acredito correto e justo.


Nota do Resenhas:

Gente, sério: estou muito surpresa. Não sabia que as coisas estavam assim. A surpresa ainda é maior pois no inicio do ano, teve reunião do Liber-Ce (do qual faço parte) e nós planejamos a coleta das benditas assinaturas para a oficialização do partido. E ainda mais, um dos membros foi pra Poa em abril, chegou entusiasmadissimo para com a oficialização e agora, o fundador se retira. A nota do Juliano foi retirada do próprio face dele.

Comentários

Postagens mais visitadas