Notas Sobre a Greve da PM

Abaixo há o infográfico do Jornal O Povo, informando como a coisa desencadeou de lá pra cá. É só clicar na imagem ou ir diretamente no jornal para ver de perto e ler melhor.


Não gosto de greves no setor público por dois simples motivos: quem sai prejudicado é sempre o cidadão, exatamente aquele que, nesta situação, não tem poder de escolha (de simplesmente fazer com que cesse a greve) e geralmente greves estão associadas a atos de vandalismo ao patrimônio público, além de claro, apropriação do espaço e/ou  equipamentos públicos.

Porque é diferente de uma greve no setor privado. Neste o custo é essencialmente econômico e o maior prejudicado é o empresário. No setor público, greves estão mais para embates políticos, já que as decisões tomadas tem de passar pelo executivo.

Há também outro motivo pelo qual acho primordial: a escolha daquele cargo. Quando alguém presta concurso público, paga cursinho, se inscreve e finalmente passa, creio que esta sabe o que estará lhe esperando ali. A carga horária, o piso salarial, quais benefícios, que tipo de ofício ele irá exercer, dentre outras. Consta tudo lá, no edital.

Não estou defendendo o conformismo ou que policiais devem ganhar pouco ou não, apenas digo que quem prestou este concurso estava ciente (pelo menos deveria) do que lhe esperaria como forma de conduta, direitos e deveres.

Acho muito digno que pessoas busquem o melhor para si. Mas no caso desta greve, isto foi feito de uma forma insana e irresponsável e poderá acarretar consequências que até o governador poderia saber, mas que não achou outra alternativa diante do estado de pânico que se encontrava a cidade.

Não defendo nenhum dos lados. O Estado errou ao não manter a comunicação com o os policiais e bombeiros, deixando a população sem informação alguma, sem a quem recorrer e a forma de conduta dos grevistas me pareceu chantagem, ao ver que toda a cidade, tomada pelo temor, ficasse reclusa em suas casas. Até porque, eles sabiam que o que estavam fazendo, pois de acordo com o código militar, era considerado motim, já que policial militar não pode entrar em greve.

E depois disso tudo, o que aconteceu? Abaixo segue o que foi acordado entre as partes:

- anistia dos grevistas.
 incorporação definitiva nos salários de toda a tropa da PM e dos Bombeiros da gratificação no valor atual de R$ 920,18, que vinha sendo paga somente aos PMs que trabalham no turno C (das 6 às 22 horas). Desse modo, o salário de um soldado (posto mais baixo da corporação) será de R$ 2.634,00, retroativo ao dia 1º de janeiro de 2012. 
reajuste no valor do vale-refeição para policiais e bombeiros, que será de R$ 224,00 por mês. Os ganhos vencimentais estabelecidos no acordo serão estendidos aos inativos e pensionistas das duas corporações militares. 
O documento também estabelece que a jornada de trabalho será de 40 horas semanais, podendo, de acordo com a necessidade da Corporação, serem fixadas horas-extras.

Ok, agora vai algumas perguntinhas:

- O soldado que trabalhava à noite vai aceitar receber o mesmo que o soldado que trabalha de dia?
- Com essa jornada de trabalho diminuída, haverá efetivo pra que todos os turnos sejam preenchidos? Afinal, polícia é 24h, não?
- A Polícia Civil já entrou em greve, tb reivindicação antiga. E ai, o Governo vai agir como?
- Qual será a próxima categoria que entrará em greve e aproveitará a bondade do Cid Gomes?
- E o melhor, estes reajustes que foram feitos e deverão ser feitos, são sustentáveis em termos de orçamento, a longo prazo? Quem pagará a conta? Meus filhos?

Enfim, assunto polêmico. Fui chamada de desalmada, ruim, alienada e desinformada, apenas pelo fato de não analisar as coisas pela ótica do "fulano merece ou fulano não merece"

ps: poisé, como castigo de corno é pouco, a Polícia Civil entrou em greve e fechou todas as delegacias. Ou seja: se vc for assaltado não poderá nem fazer um B.O. Se por acaso baterem em teu carro, ele vai ter que esperar um pouquinho pra vc acionar o seguro.

E que o céu diga amém, pq o fim do mundo chegou.

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