Acaso

Acaso é algo dual: pode nos dar alegria, como pode nos apunhalar feito faca afiada.
Quando ele nos surpreende e nos diz que a vida é boa demais para ser subestimada, é uma festa. Tudo muda. As cores das coisas voltam. O sabor volta a ter sabor. Tudo parece fazer parte de uma grande conspiração do universo em querer que tudo dê certo. Otimismo mil. Depois que ele assume esta forma, pode aparecer de outra. Aquela em que o acaso é algo que você tem de deixar acontecer. Que seja o que qualquer divindade queira que seja. É a parte real do "nada está garantido". É ter que esperar. É saber que a vida não é lá grande coisa e que várias vezes te dá uma rasteira para que você saiba onde fica o chão. O chão, aquele que você se distanciou exatamente por causa do acaso e é para não esquecer o gosto que ele tem, que este acaso te derruba feito corda estirada. Eu odeio o acaso porque não gosto do que tem duas caras. Não gosto do que me machuca e não gosto do que me derruba ao chão. O que tem duas caras não combina com o que tem apenas uma para mostrar. E é por ter apenas esta para dar que o acaso continua a brincar.

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