Peças de Reposição

Quando se namora é incrível como qualquer programa com aquela turma de amigos casais se torna a pedida preferida. Às vezes, perde-se até a vontade de sair apenas com o namorado (a), só pra poder aproveitar mais momentos com aquela turma. Tudo fica mais divertido e aproveitável.

Veja bem, casais só possuem amigos casais. O primeiro que se desfaz e quiser sobreviver na panelinha terá logo que encontrar sua peça de reposição, senão fica conhecido como o fulano ou sicrano que não se encaixa nas reuniões ou nas saidinhas. Some isto às mesmas desculpas "altruístas" de que não o chamariam por que não se teria a certeza de que ele se sentiria bem e, depois de um tempo, quando se percebe a ausência do outro numa rodinha de conversa qualquer, solta-se o clichê: "a vida foi quem nos separou...".

Amizades se desfazem não pela vida, mas porque as pessoas não conseguem preservá-la.. Ela é alimentada pelo cotidiano, pela cumplicidade. Se não há mais cotidiano, não há mais identificação e tudo isso dá lugar a uma sensação estranha de que você está sendo legal com alguém que mal conhece. 

Pessoas são descartadas como nada, afinal, perdeu-se a utilidade. A utilidade da identificação e da reafirmação perante à todos. Se não possui a principal característica de associação, então perde-se todo o resto.

Me pergunto até quando as pessoas irão separar as outras pelo status de um relacionamento ou pelo menos até quando as amizades dependerão disso. Até que ponto a importância de alguém será definida pela facilidade de repor uma peça? Até quando?

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas