Eu e a Parada Gay

Domingo é o típico dia que por mais que você esteja disposta a fazer algo que preste, uma força interior diz que a melhor coisa é não fazer nada de útil, no máximo um filminho e pipoca. Com isso, duas colegas  me convidaram pra ir à parada gay que rolou nesse último domingo aqui em Fortal. Fui pelos apelos de que seria engraçado e que "melhor do que ficar em casa sem fazer nada".

Como em todo ano, acontece no cartão postal da city: a Av. Beira Mar. Cheguei cedinho, umas 16h e me dirigi à concentração. Fiquei logo observando o perfil das pessoas que ali estavam, tentando me encaixar em alguma delas pra ver se justificava minha ida para lá.

Havia gente de todo tipo, mas todo tipo mesmo. Do curioso ao que faz daquilo o evento social do ano. Pessoas travestidas de tudo querendo chamar atenção - e até aquelas que iam praticamente nuas, com alguma parte do corpo descoberta (e a turista gringa não pode topless? Como é isso? ) à pessoas que estavam ali acidentalmente fazendo alguma atividade naquela região.

Só de trios elétricos contei uns 5, mas tinham bem mais. O que mais me passava pela cabeça era de como um grupo se diz minoria se a festa possuía até um trio do governo do estado, com direito ao secretário do estado responsável por políticas voltadas ao público GLBTRSTUVXZ (que nem sabia que tinha, diga-se) falar sobre coisas que o fariam ser ovacionado por quem ali estava, quase como escrever populismo no face e receber likes de estadistas.

Uma destas era o aumento do número de assassinatos à homossexuais. Mas vocês juram que ele falou que existiam muitos casos passionais ne? Óbvio que não. Assim como ele não iria comentar que heterossexuais morrem bem mais, afinal, o intuito é reforçar que a homofobia ainda existe em boa parte no território brasileiro e que por isso é necessário impor leis para puní-la (se vc não concorda que alguém é gay, mas não impede esta de ser, você é homofóbico tb).

Óbvio que falaram da "cura gay". Aliás, todo e qualquer presente que pegou um microfone e teve a oportunidade de falar citou o PDC 234/2011 (falei dele aqui). "Ser homossexual não é doença, é uma escolha". Querer receber orientação psicológica quando se trata disso também é uma escolha.

E nunca ouvi tanto a palavra "Liberdade". Juro que quando a ouvia, chega sorria! Porém, o sentido da liberdade dita era de que esta só existia se houvesse concordância. Ou seja, liberdade existe somente se você concordar comigo, senão, você será taxado de homofóbico e outros fóbicos que ouvi por lá.

Quando os trios começaram a se movimentar e fazer barulho - cada um tocava um ritmo diferente, teve um que aos invés de tocar música, colocou ao microfone lideranças da Crítica Radical. Até que me rendeu umas boas risadas, visto que os gritos da mulher contra o "maldito capitalismo excludente" em nada combinava com o evento, todo viabilizado graças a este maledito.

Parada vai, parada vem, como de praxe em grandes eventos, uns arrastões de boa ali na Beira Mar. De boa por que se não tiver, então você não está no cartão postal de Fortal. Contei uns três e mal tinha começado o negócio. Além disso, pivetes roubando cordões de turistas ou de qualquer pessoa que lesasse diante do evento, vi 4 vezes. Inclusive uma do meu lado, no qual foi tão rápido que custei acreditar. Fiquei realmente impresionada com a perícia de "de menores" em extrair o cordão do pescoço alheio. 

Vendo isso, quis logo ir embora. Tava já vendo a hora da minha pessoa ser agraciada com um assalto  básico. Tentei ir de ônibus. Depois de 40 min na parada, peguei um que iria dar uma volta maior antes de chegar ao caminho que levaria ao meu bairro. Essa volta era ali no Cais do Porto, local onde obviamente você será assaltado.

Com tudo isso na minha cabeça, tive um princípio de crise de pânico dentro do ônibus. Minha vontade era de pular dele a qualquer momento. Toda e qualquer pessoa que me olhasse, já achava que seria um potencial assaltante. Desci em um supermercado.

Achando estar protegida ali, telefonei pra minha irmã ir ao meu encontro. Queria de qualquer jeito sair dali. Enquanto fazia tal telefonema, minhas colegas do lado de fora encontraram um amigo e este fora assaltado na presença delas. Quando vi o carro de minha irmã, parecia que estava vendo a redenção. Só queria chegar a casa.

Nunca a chegada em minha casa foi tão comemorada! No mais, Parada Gay, no way!

ps: antes que nego ache que não irei pra tal evento por se tratar de uma parada gay, releia o post e veja o porquê de não mais desejar - a não ser que esteja afim de ficar em um lugar inseguro e tumultuado. Se for o caso, enjoy!

ps²: sim, tive horas de divertimento! Era cada figura que não dava pra controlar o riso! Além disso, o gosto musical deles é semelhante ao meu, logo, pirei nos trios em que tocavam os Djs.

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