No Meio do Caminho Tinha um MEC

Atualmente faço um curso tecnológico de gestão financeira. Tá sendo bacana pois, muita coisa direcionada para a administração de uma empresa e as ferramentas lá utilizadas, não são vistas em economia - como alguns pensam.
 
A grande e esmagadora maioria dos colegas de sala tem aquele perfil já conhecido: a média de idade é um pouco mais alta do que a encontrada em graduações nas universidades públicas; muitos tem ali como a primeira graduação; terminaram os estudos e já foram direto pro mercado de trabalho; uns procuram aperfeiçoamento de atividades do trabalho e; casados e com famílias constituídas, portanto, com dependentes.
 
É sabido que quem trabalha 8h por dia, ao chegar a casa quer descansar, mesmo tendo um 3º turno à sua espera, como tarefas domésticas ou mesmo pra por os estudos em dia. Mesmo com sua força de vontade de estudar pós-faculdade, é vencido por um cansaço que não quer saber o que você quer. Porém, o que é visto em termos institucionais, é uma faculdade tradicional que não lhes proporciona uma melhor utilização do tempo.
 
Os professores, como transmissores da metodologia da faculdade, muitas vezes põem mais dificuldades ao invés de facilitar o aprendizado do aluno. Não estou dizendo que ele deve ser negligente com o ensino, mas deveria ter a sensibilidade de que aquele aluno é diferente e, portanto, suas necessidades também diferentes. Às vezes, passam trabalhos enormes, muitas vezes manuscritos ou atividades que requerem bem mais tempo, numa semana em que o tempo hábil da pessoa é o horário de almoço.
 
Indivíduos que trabalham e estudam querem resgatar um tempo perdido, se aperfeiçoarem em um assunto ou as duas coisas e, se possível, de maneira rápida e que lhes sobre algum tempo para o descanso devido. Logo, a faculdade tem de ter liberdade de construir ou possuir uma metodologia que proporcione atender este tipo de demanda, combinando uma educação de qualidade com uma melhor utilização das horas em sala.
 
Aí é que entra o X da questão ou a pedra, ops, o MEC. Este é quem normatiza e indica as diretrizes das faculdades e universidades, além de determinar quem pode fazer o que. Perdi as contas de quantas vezes ideias foram frustradas em salas de coordenação pelo simples fato de que " o MEC não permite..."
 
Até quando teremos nossa demanda educacional presa a uma instituição que mais atrapalha que facilita? Ao negar flexibilidade às universidade e faculdades, ela nega para milhares de pessoas um acesso à educação superior mais adequado com sua realidade e necessidade.
 
O mantra repetido por tal instituição é a universalização do acesso, mas a única universalização que acontece é de barreiras. E quem mais sofre com isso? É, aquele mesmo que, mesmo não tendo muitas condições de arcar com seus próprios estudos, o faz porque sabe do quanto ele faz diferença na vida, mesmo tendo um MEC em seu caminho.

 

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