Quereres


Não é preciso ser economista ou leitor assíduo dos manuais econômicos para perceber que nem tudo que queremos na vida está facilmente disponível. Sempre que queremos algo, pagamos um preço - monetário ou não, para tê-lo.
 
Quando era criança, aprendi bem isso. Minha mãe não tinha recursos para satisfazer meus desejos pelos brinquedos que saiam nos comerciais, mas ela me fazia entender direitinho o porquê que, naquele momento, não poderia ter.
 
Pode parecer papo chato de gente velha, mas o que percebo é que, ao que parece, isso não é mais repassado como forma de educação entre pais, tios, avós e seus respectivos filhos, sobrinhos e netos. Sei que as condições econômicas melhoraram nos últimos anos e cada vez mais as pessoas tem acessos aos bens, mas nem por isso a noção de escassez deve deixar de ser repassada para a criança.
 
Quando ela percebe que se tem tudo de forma fácil e ao seu alcance, ela passa a agir como senhor e a tratar os outros como servos de sua vontade. Não há paciência, nem noção de escolha, de tempo, espera, nada. Há apenas a vontade sendo exprimida em forma de birra, tapas, xingamentos e cara feia.
 
Do outro lado, há país que obviamente querem o melhor para seus filhos, mas esquecem que o melhor não é fazer todas as vontades deste; há tias que, geralmente ainda sem filhos, preferem dar coisas e fazer as vontades do sobrinho porque de uma maneira ou de outra, não se sentem responsáveis pela educação deste, afinal, não é seu filho; há ainda os avós, que parecem ter esquecido boa parte dos seus próprios ensinamentos.
 
Enfim, não quero eu agir como juiz de todos os pais que são reféns das vontades de seus filhos, afinal, cada família sabe o que é melhor para ela. Minha reflexão partiu somente da observação de que muitas crianças e adolescentes vão se desenvolvendo sem a ideia básica de escassez. Sem isso, eles não terão noção do agir humano e nem muito menos da liberdade e suas respectivas responsabilidades.

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