Em Copa Na Copa

Como a maioria dos brasileiros que conheço, esta é a primeira vez que pude vivenciar o clima de uma cidade sede numa copa do mundo. Por isso, vou à Copacabana, coração turístico daqui do RJ dar uma olhadinha na gringolândia que por lá se instalou.

Ao descer na estação General Osório é perceptível que ser do Brasil é quase minoria. A maioria veste feliz - há não sei quantos dias, diga-se, a blusa do seu time. Os que preferiram trocar de indumentária, são facilmente reconhecidos pelo jeito de andar ou pela pele vermelha já cansada do sol escaldante da cidade maravilhosa.

Saindo do perímetro da estação, percebe-se a lotação do bairro: anda-se quase esbarrando um nos outros. Passar a faixa de pedestres é se sentir em uma megalópole, com a quantidade de gente num espaço pequeno. As calçadas viraram vitrines para aqueles que vem a Copa não só como um evento esportivo, mas como uma oportunidade de trabalho. Camisas, meias, mochilas, shorts e até coleiras por lá vendem. 

Logo atrás de mim esbravejava uma senhora, provavelmente moradora do bairro, reclamando da quantidade de ambulantes estrangeiros: "Pra eles podem e para os brasileiros não? Vou denunciar isso", dizia ela, cm um ar inconformado e ao mesmo tempo determinado.

Caminhando um pouco mais, agora já próximo ao Copacabana Palace, o cheiro de urina e maconha sobem. Meu noivo brinca, afirmando, "bem vindo à zoina sul". Apenas ri e lembrei que ainda tenho que escrever sobre essa separação cultural de regiões que eles fazem aqui.

Finalmente chegamos ao calçadão. Lotado. Entupido. Emaranhado de gente. Formigueiro humano. Pronto, acho que consegui descrever para vocês a situação. Engraçado que na primeira fase, quando fui à Fifa Fan Fest e ainda tinha mais nacionalidades espalhadas, lá não estava tão lotado assim. Agora me parece que o negócio concentrou.

Andando no calçadão, o que menos escuto é português. A esmagadora maioria falava espanhol ou alemão. Os chilenos, que só sabiam gritar "chi-chi-chi le-le-le viva chile" pelas ruas do bairro, deram espaço aos argentinos. Haviam também alguns mexicanos e colombianos aproveitando para vender "cervesa" e alemães gigantes - para mim, claro, caminhando.

Fizemos algumas tentativas de parar em um quiosque e tomar algo, mas todos, todos mesmo estavam lotados. Na volta, escutávamos pessoas cantando uma música. Ao nos aproximar, enxergamos camisas azul com branco sendo agitadas. Eram os argentinos.

A musica fazia chacota com os brasileiros. "Muita coragem e doidos para apanhar, pensei", mas a reação da maioria dos brasucas que ficaram parados olhando aquilo foi sacar o celular e filmar. Antes ir pro facebook que ir pra porrada, né? 

Apenas um teve coragem de mandar os hermanos tomarem naquele canto. Sozinho entoava "bando de argentino, vai tomar no c*" e ninguém mais teve coragem - ou audácia, de cantar isso diante de, pelo menos, uns 150 argentinos.

Com os pés jó doídos de tanto andar, resolvi ir embora. Já dentro do metrô, estranhei 4 alemães pegando em direção à Pavuna. Pedi ao meu noivo para perguntá-los se estavam perdidos e em qual estação desceriam. Para a nossa surpresa, iam descer em Maria da Graça, região agraciada por duas comunidades: Manguinhos e Jacaré. Voltamos pra casa pensando no que os 4 chucrutes iriam fazer por ali.

E ai terminou a jornada. Talvez eu vá assistir e secar a argentina na semifinal desta quarta lá na Fan Fest. Vai ser divertido ver mais um que fala espanhol, voltando pra casa.


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