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Passei praticamente dois meses sem escrever nada. Não tinha ânimo. Minha vida tinha entrado em um ciclo que mais parecia o inferno que o céu. Me apeguei à Deus, pedi para que Ele me lembrasse que sou filha dele e que tudo passa. 

Para ajudar a me reanimar e decidir o que queria fazer da vida, fui à Fortaleza. Foi uma semana maravilhosa ao lado dos meus amigos e família, mas mesmo ali, onde minha saudade era latente durante os últimos 6 meses, não me senti completa. Faltava uma coisa, algo não se encaixava.

Voltei para o Rj e vi que estava feliz aqui. Finalmente. Respirei aliviada, vim ser feliz e finalmente serei. Mas, como nada é perfeito ao que parece, menti sobre um episódio que nada significou para mim que não um ego preenchido. Lá vem o inferno, lá vem o ciclo. Tudo mudou.

Errei, sei, mas achava que tinha crédito, afinal, não costumo mentir. Entretanto, a vida veio e mostrou que não devemos tomar decisões pensando que alguém irá agir como você. As pessoas são diferentes, elas não vão aceitar o que você aceitou, no máximo irão dizer: aceitou porque quis. 

Agora, encontro-me no mesmo ponto que estava há dois meses atrás. Emocionalmente em frangalhos, pensando na opção mais rápida e que seja racional para driblar a dificuldade e o sentimento de culpa e inferioridade.

Eu queria só que as coisas voltassem ao normal. Que eu pudesse sorrir ao acordar, que eu pudesse finalmente desfrutar da minha decisão. Não é fácil mudar de vida e simplesmente adaptar-se como se tivesse sempre tido a nova vida. 

Não é fácil ver algo que destrói teu coração e simplesmente engolir aquilo. Não estou conseguindo ver e não sentir. Queria que o tempo passasse depressa, queria que as coisas tivessem seu fim. Queria ser feliz.

Escrevo o textão porque simplesmente não tenho ninguém para falar. Não tenho amigos no Rj, me encontro isolada, sem fé e esperança. Queria sentir coisas boas, mas acho que depende muito que coisas boas aconteçam.

Esse é o meu problema: achar que fatores externos irão me fazer feliz. Não irão. Preciso finalmente aprender que para que eu seja feliz, a primeira pessoa com quem eu devo fazer as pazes sou eu mesma. Preciso me perdoar, preciso me erguer. 

Não adianta as pessoas falarem o quanto sou inteligente, o quanto sou legal, o quanto sou isso ou aquilo se, nas ações cometidas, nada disso é levado em consideração. Parece que sou apenas essa face triste, o desequilíbrio emotivo. Meu sorriso foi esquecido, meu esforço, idem. Nada meu mais vale, não para quem eu achava que deveria valer.

Mas afinal, para quem deve valer todo o esforço, todo o foco, todo o sentimento? A resposta mais óbvia é: para mim mesma.  Se é tão óbvia, porque diabos não penso em mim? Por que não estou tranquila? Por que sempre que faço algo e a primeira pessoa que penso não sou eu?

Estou eu repetindo o erro crucial de achar que alguém faria algo por mim só porque eu faria por essa pessoa? Repetindo o erro de não pensar em mim, de não me amar, de achar que mereço pouco, enfim, uma bela receita para tomar no orifício anal.

Preciso de um tempo para me namorar novamente, para ver o que a maioria das pessoas veem, preciso redescobrir o quanto sou inteligente, bonita, legal, engraçada e etc. Simplesmente preciso sair desse ciclo tóxico.

Deus me dê força, discernimento e muita, muita fé em novos dias. No mais, a única coisa que posso fazer é agradecer pelo aprendizado. Obrigada, obrigada!








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