The Lobster



Genial.

Essa certamente é a palavra que define tão bem esse filme que, pasmem, foi lançado em 2015 e só agora, 2 fucking anos depois, estou a saber da existencia dele. Tks, Golden Globes! Mas vamos lá, seria maldade não tecer mais alguns comentários ou não explicar o porquê de ser genial.


The Lobster - ou literalmente "A Lagosta" é um filme que fala de amor. É um filme que fala de solidão. É um filme que fala de julgamento. É um filme que fala de sociedade. É um filme que fala de mentira. É um filme que fala de adaptação. É, por fim, um filme que fala de pressão.

Imagine que, num futuro distópico, você teria que optar em ter alguém ou simplesmente não ter ninguém. Não tem meio termo aqui, é 8 ou 80, preto ou branco, é ou nao é. Sem cinzas, sem eufemismos. Direto. Objetivo. Caso você opte por ter alguém, estará apto a viver em sociedade e desfrutar do que o mundo tem a te oferecer. Caso opte por ficar sozinho, viverá em exilio completo. O sistema só aceita casais, sabe como é ne? Quem é que vai te ajudar a pegar aquele pote que fica na prateleira mais alta da cozinha? Nunca se sabe.

A pergunta que faço, de cara, é: serio que é num futuro distópico? Minha geração ainda é aquela que tem como parâmetro os 30 anos: se passar disso e não casar, tem algo errado com você. Provavelmente estarás condenado a se juntar com pessoas pelo menos 10 anos mais novas para que possas sair ou se divertir, pois como não és casada (o), não pode fazer parte do maravilhoso clube da família. 

Minha geração também é aquela do Prozac, do Rivotril. Se regojiza com a solidão, sente-se orgulho pelos problemas que alifgem seu contidiano, se acham incapazes de despertar o amor ou interesse de alguém. É cool rejeitar o amor e fechar as portas, afinal, é legal ser diferente e solitário.

O fato de me perguntar se realmente retrata um futuro distópico é que faz esse filme ser genial. Ele mostra um sistema que, para muitos, é absurdo, perturbador, atrelado ao fato alentador de que é um futuro, quando na verdade ele só se utilizou de uma narrativa pra te fazer perceber que você já vive isso. A companhia e a solidão são superestimadas. Não há a liberdade de simplesmente viver da forma como voce acha melhor. Sempre há de ter um padrão e um papel a ser seguido na sociedade. 

Quando essa pressão chega ao ponto de explodir, temos duas alternativas: ou procuramos alguém cujas caracteristicas sejam as mais comuns possíveis - físicas ou psicológicas, ou nos recolhemos a uma vida solitária, como se fosse uma especie de punição por não achar que nos encaixa perfeitamente. E assim tentamos sobreviver a cada dia com nossas escolhas. Um dia somos a caça e o outro o caçador. 

Minhas impressões param por aqui por motivos de se falar mais, solto spoilers (e ninguém aqui quer isso não é?). Me resta dizer que filmes geniais só se fazem com um elenco quimicamente sincronizado, notadamente, este. A interpretação do Farrell, meu deus do céu! Vale a indicação de melhor ator por drama nesse golden globe. Ainda tem Rachel Weisz, John Reilly e aquela francesa da mesma cara blasé que fez Azul é a cor mais quente (nesse caso essa mesma expressão dela funcionou no filme, afinal, tudo nele é direto e mecanico demais para haver demosntrações).

E ah, antes que me esqueça, a trilha sonora é fundamental. Ela é a responsável pela leveza dada em cenas que fariam muitos terem ojeriza. Enfim, um dos melhores filmes que já assisti. Recomendo expressamente àqueless que ainda não o viram :)

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